Palavra Pastoral – REJEITADOS (1)

Você já se sentiu rejeitado em algum momento de sua vida? Certamente sim. Haverá alguém no mundo que nunca sofreu rejeição? Este é um dos sentimentos mais comuns e uma das experiências mais difíceis que vivenciamos.

Há pessoas que antes mesmo de ver a luz do dia, ainda no ventre materno, sentiram-se rejeitadas e carregam este trauma durante toda a sua existência terrena.

A rejeição na infância ou no âmbito da família é cruel. Neste ambiente a nossa autoimagem e o saudável sentimento de autoestima são formados.

Na adolescência cresce a necessidade de nos sentirmos aceitos em um grupo maior do que o nosso núcleo familiar. Ser rejeitado por uma turma na escola, na igreja ou em outros ambientes é muito doloroso.

Felizes aqueles que se apaixonaram e nunca foram rejeitados. Quanta dor o jovem experimenta quando o coração transborda de uma paixão que não é correspondida! Há aquela rejeição que nem dá ao outro a chance de iniciar um namoro. Dói demais, também, quando se é descartado depois de um tempo de compromisso amoroso repleto de dedicação e sonhos… Ainda mais difícil é a experiência de casar-se e depois ser descartado de forma definitiva e não saber o porquê de tamanha rejeição.

Há casais que permanecem morando debaixo do mesmo teto até o fim da vida, mas na intimidade conjugal e do lar experimentam a rejeição do seu cônjuge. Uma rejeição por vezes velada, mas real.

Pais também podem experimentar este sentimento. Criaram os seus filhos com todo carinho, se sacrificaram por eles, e agora, na adolescência, juventude ou até mesmo quando chegam à idade adulta, eles se rebelam ou simplesmente os ignoram. Quantos idosos se sentem rejeitados porque não são convidados pelos filhos para um passeio, um lanche ou almoço, não recebem um telefonema deles, nem mesmo uma mensagem no WhatsApp?

“O que eu fiz de errado? O que há de errado comigo? Por que não sou aceito? Por que o meu amor não é correspondido?” “Onde estou falhando?” “O que posso fazer para conquistar a atenção e carinho dele(a)? Estas perguntas martelam na mente e no coração dos rejeitados.

A rejeição ocorre não apenas no âmbito familiar e dos afetos, mas também no contexto social. Muitos sofrem ao se sentirem discriminados pela cor de sua pele, origem social, condição econômica, nacionalidade, religião, sexo, opção ideológica ou política.

No ambiente de trabalho a rejeição pode surgir quando um candidato entra em um processo seletivo e não é aprovado ou quando um funcionário com longos e dedicados anos em uma empresa é demitido.

No campo político, o candidato a um cargo público que possui um alto índice de rejeição, não consegue ser eleito ou reeleito e pode até mesmo favorecer a vitória do seu principal opositor.

Cantores, esportistas, atores, escritores, jornalistas, blogueiros, apresentadores de programas de TV e tantos outros profissionais, necessitam da aprovação não apenas dos amigos e dos que com eles convivem mais de perto. Desejam ser admirados por centenas ou milhares de pessoas. Os que adquirem a fama temporariamente experimentam com mais intensidade a dor da rejeição quando, por alguma razão, não conseguem continuar trilhando o caminho do sucesso e caem na obscuridade.

Há rejeitados que sofrem calados porque são vítimas de uma rejeição sutil. Há rejeitados que são humilhados e desprezados publicamente, violentados física ou verbalmente e por isso se revoltam e protestam.

O fato é que nenhum de nós está completamente imune à experiência da rejeição. Por este motivo não podemos atrelar o nosso sentimento de valor pessoal ou o quanto somos importantes para Deus, pelo grau de aceitação que conquistamos das pessoas ao nosso redor.

Ao nos sentirmos rejeitados devemos nos perguntar: por que estou sendo rejeitado? Esta rejeição é “justa”? Pode ser que estejamos sendo rejeitados apenas por termos convicções firmes e coragem para expressá-las. Foi assim com Jesus. Por que seria diferente conosco?

Marcos Vieira Monteiro

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