Palavra Pastoral – REAÇÕES À CRISE

Como já destaquei anteriormente, a maneira como reagimos a esta crise provocada pelo coronavirus depende de muitos fatores. Em que medida estamos sendo afetados diretamente, dos recursos financeiros, emocionais e espirituais que possuímos, das informações que recebemos diariamente, da ideologia que abraçamos e também do nosso temperamento.

Há pessoas que “por natureza” são mais prudentes, mais crédulas, mais ansiosas, mais corajosas, mais medrosas, mais hipocondríacas, mais práticas, mais disciplinadas, mais rebeldes… enfim somos muito diferentes. Há pessoas vivendo uma realidade muito semelhante, morando debaixo do mesmo teto, com pressões e limitações muito parecidas, mas que têm reações bem diversas.

Nem todos nós sentimos da mesma maneira as normas que nos estão impostas pelas autoridades políticas do Estado e do município. Uns acreditam que são importantes e válidas para a contenção da pandemia, considerando os números de infectados e óbitos em Fortaleza e no Ceará. Outros se sentem agredidos em seu direito de ir e vir e percebem estes decretos como o começo de uma ditadura comunista. Uns aceitam uma decisão sobre o lockdown com serenidade e outros se revoltam…

Alguns, quando morre um parente por covid19, não participam do enterro porque temem se contaminar. Outros, fazem questão de ir ao cemitério. Há líderes religiosos que gravam os sermões em suas casas, como medida de prevenção porque têm recursos para isso. Outros se deslocam para os seus templos, mesmo estando em grupos de risco.

Há quem aceite sem problemas passar o dia inteiro trabalhando com uma máscara no rosto. Outros não conseguem passar quinze minutos sem retirá-la um pouco porque se sentem sufocados.

Existe aquela pessoa que vai ao supermercado e faz as suas próprias compras. Outros preferem usar um aplicativo e pedem que a sua feira seja entregue em sua casa.

Uns não aguentam ficar trancados em casa mais do que 24 horas e arranjam um pretexto para “dar uma saidinha”. Outros optam por não passar pelo portão de casa de jeito nenhum.

Há quem seja extremamente cuidadoso em todos os produtos que recebe em casa, lavando um por um cuidadosamente. Outros, limpam “mais ou menos”.

Pessoas mais corajosas, destemidas e que adotam um determinado discurso político tendem a ser menos cautelosas. Por outro lado, aqueles que são mais temerosos tendem a ser mais previdentes.

Será que existe um jeito certo de reagir a esta crise?

Nestes dias tenho pensado muito em como Jesus, enquanto ser humano, reagiria a tudo isso se vivesse encarnado entre nós?

Devemos aproveitar este momento para fazer uma auto análise. Como tem sido a minha reação a tudo isso? Por que estou reagindo assim? O que tem alimentado a minha mente nestes dias? O que minhas atitudes práticas têm revelado sobre mim?

Quem é extremamente prudente precisa estar atento para não ficar, como se diz popularmente, “neurótico”. Uma coisa é agir com prudência, outra é deixar-se contaminar pelo vírus do medo e viver o tempo todo assustado.

Quem vive ligado nos meios de comunicação o tempo todo, ouvindo notícias perversamente manipuladas, dependendo do seu temperamento, pode entrar em pânico ou ficar irado com o terrorismo midiático.

Por isso, uma recomendação que não canso de repetir é: seja seletivo com o que você está ouvindo. Escute apenas o que, de fato, é importante para a sua realidade pessoal. Dependendo de seu estado emocional, até mesmo certas notícias de WhatsApp você deve evitar. A esta altura você já sabe quem lhe passa só notícias de conspiração e tragédia e quem lhe encaminha mensagens de paz.

Creio que o grande desafio para alguns de nós é aliar a prudência à serenidade, e para outros é manter a coragem sem ser irresponsável.

Marcos Vieira Monteiro

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