Palavra Pastoral – POSITIVEI

No contexto atual de economia de palavras na comunicação e de pandemia ao ler esta palavra: “positivei”, você certamente já entendeu o que aconteceu comigo ontem à tarde.

Ao chegar de Vitória (ES) onde participei de Congressos e da 101ª Assembleia da Convenção Batista Brasileira decidi fazer, ainda no aeroporto, um teste rápido para covid 19. No domingo passado apresentei sintomas leves: tosse, garganta arranhando, moderada congestão nasal e pequena sensação de fadiga. Apesar deste quadro gripal imaginava que o resultado seria negativo. Quando soube que estava entrando no grupo de milhões de pessoas infectadas em todo mundo pelo coronavírus confesso que senti um amargor na boca. Mas, imediatamente disse para mim mesmo: “Marcos, não se preocupe. Deus está cuidando de você. Você vai se restabelecer em poucos dias.” Recuperei logo o ânimo.

Vim para nossa casa e imediatamente comecei a cumprir o necessário isolamento social até o dia 26 deste mês. Pela graça de Deus tenho me sentido bem física e emocionalmente. Sei que isso é fruto de orações de irmãos, familiares e amigos.

Ao longo de toda a pandemia pensei muito se chegaria a escrever uma “Palavra Pastoral” compartilhando minha experiência de contaminação. Sempre tive a sensação de vulnerabilidade. Afinal, se tantos estavam sendo afetados, por que não eu? Procurei ser extremamente cuidadoso e observei as práticas sugeridas de prevenção. Não me arrependo de ter agido assim. Mas chegou a minha vez agora. Dou graças a Deus por ter sido infectado somente após ter tomado três doses das vacinas e me sentir mais preparado física e emocionalmente para enfrentar a covid19.

Felizmente o teste de Dora, que estava comigo durante todo o tempo nestes últimos dias, apresentou resultado negativo e ela não apresentou nenhum sintoma até o momento.

Nesta terceira onda explodiram os números de infectados em Fortaleza e entre os membros e congregados de nossa igreja também. Até o nosso netinho Pedro, de dois anos de idade, testou positivo esta semana. Esta nova conjuntura nos leva a necessidade de gastarmos mais tempo orando pela saúde uns dos outros, exercendo a solidariedade e sendo sensíveis às necessidades das pessoas ao nosso redor.

Aqueles que não foram afetados devem se cuidar e ajudar os que estão precisando de auxílio. Os que já foram infectados e estão sadios tem a oportunidade de retribuir a ajuda que receberam. Os que estão infectados devem seguir rigorosamente as instruções de seu médico de confiança, renunciar o que for preciso nestes dias e perseverar pedindo a misericórdia de Deus.

Este é o tempo de orarmos pelos familiares dos que estão enfermos. Muitos deles sobrecarregados com responsabilidades extras.

É tempo de orarmos por nossas crianças e adolescentes infectados. Que sua recuperação seja breve.

Podemos divergir sobre eficácia das vacinas, possíveis efeitos colaterais, obrigatoriedade de passaporte vacinal, vacinação em crianças e tantos outros temas relacionados à pandemia. O que mais importa agora é ajudarmos uns aos outros a combater o pânico, a confiar cada dia mais em Deus, a pensar no coletivo e a cultivar um ambiente de solidariedade e paz.

Positivei para covid e agora? Tenho como desafio pessoal aproveitar bem este tempo em que minhas atividades devem ser executadas nos limites da minha saúde e de um espaço físico restrito.

Que eu escolha bem o que ler, que vídeos assistir e que contatos por telefone ou virtuais realizar. Que seja um tempo precioso para meditar ainda mais e interceder a Deus por outros enfermos.

Que seja também tempo de descansar um pouco, exercitar a fé, a paciência e agradecer as bênçãos que somente nos são concedidas quando uma enfermidade nos obriga a diminuir o ritmo. É tempo de celebrar a solidariedade e o carinho de muitos.

Espero no final de tudo, plenamente recuperado, receber de Deus um sinal positivo e ouvi-lo dizer: “Parabéns Marcos, você foi aprovado neste teste”. Este elogio divino desejo também à todos meus irmãos que estão positivados para covid. Que seja este para todos nós um tempo de crescimento espiritual.

Marcos Vieira Monteiro

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