Palavra Pastoral – OPORTUNIDADES DE DEMONSTRAR AMOR

Estamos mais uma vez impactados com a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro. Petrópolis foi a cidade mais atingida. Até o momento em que este texto está sendo redigido, inundações e deslizamentos, provocados pelas chuvas destes últimos dias, resultaram em 110 mortes. Dezenas de pessoas continuam desaparecidas.

No início deste ano o sul da Bahia e Minas Gerais foram também afetados pelas enchentes. Todos os anos, em algum lugar do Brasil, temos notícias como estas. São centenas de famílias, especialmente as mais pobres, que perdem “tudo”, inclusive, a vida de seus parentes e amigos.

Em uma noite de dezembro de 1993, acordei com o telefone tocando e ouvi o apelo desesperado de uma das filhas do irmão Mirandinha:

  • Pastor, com tanta chuva uma represa arrebentou, o rio subiu, saímos correndo de casa! Está tudo alagado!

Corremos para lá, e em poucas horas abrimos as salas da Primeira Igreja Batista de Teófilo Otoni para receber dezenas de pessoas atingidas pela enchente do Rio Todos os Santos. Em nossos lares acolhemos os irmãos em Cristo que residiam na área da enchente. Durante alguns dias muitas famílias de desabrigados receberam também como apoio da igreja, roupas e alimentação.

Deus colocou em nosso coração o sonho de fazer algo mais. Elaboramos um projeto que foi aprovado pela Junta de Richmond e pela Visão Mundial. Com os recursos disponíveis para construção de 70 casas populares em regime de mutirão, fomos à prefeitura, que doou o terreno. Após meses de trabalho duro, com a participação dos beneficiários, inauguramos o bairro “Vila Betel”. Para cada casa foram doados camas, colchões e fogões.

Esta experiência me ensinou que tragédias criam oportunidades singulares de abençoarmos o nosso próximo e demonstrarmos amor cristão.

Em outras situações de calamidade pública muitas ONGs têm se mobilizado para prestar ajuda humanitária. Dentre estes grupos estão os batistas. Na África, em Brumadinho, em Manaus, no Sul da Bahia, tivemos a oportunidade de contribuir, através das igrejas locais e de diversas organizações de nossa denominação (principalmente a Junta de Missões Mundiais e Junta de Missões Nacionais), para minimizar o sofrimento de milhares de pessoas, através de orações, doações e serviço voluntário. Agora é a vez de Petrópolis.

Entendemos que políticas públicas e maior rigor nas fiscalizações de construções em áreas de risco minimizariam as perdas materiais e de vidas. Creio que podemos orar neste sentido para que cristãos conscientes que ocuparem estes espaços públicos sejam mais diligentes em seu trabalho. Tragédias sempre trazem à tona medidas preventivas que poderiam ter sido tomadas. Possamos aprender as lições para evitar no futuro que tragédias se repitam nestas dimensões.

Além das nossas orações estas situações requerem nossa compaixão e ação. Que as portas das igrejas em Petrópolis permaneçam abertas para abençoar muitas vidas. Que o Senhor console os corações dos que sofrem grandes perdas. Que possamos demonstrar solidariedade com nossas preces e contribuições financeiras.

Agindo assim, contribuiremos para que as tragédias não sejam apenas tragédias, mas possam criar oportunidades de expressarmos o amor de Deus aos que estão sofrendo.

Marcos Vieira Monteiro

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