Palavra Pastoral – LÁGRIMAS DE ESPERANÇA

Que tempos difíceis para nós em Fortaleza! Dia de chorar com os que choram, pois, irmãos queridos foram chamados à presença do Senhor.

Jeremias, conhecido como o “profeta chorão”, em um momento de grande sofrimento pelo seu povo, registrou a sua dor:  “A minha força já se esgotou, como também a minha esperança no Senhor. Lembra-te da minha aflição e amargura, do absinto e do fel. (…) Mas quero trazer a memória o que pode me dar esperança. ” (Lamentações 3:18-22)

Há momentos em que nos identificamos com o profeta: sentimos a nossa energia e esperança se esgotando. Quando a luz da nossa bateria interior começa a piscar porque está chegando ao fim, a melhor atitude é nos reconectarmos com a nossa fonte espiritual.

Que fonte é esta? As memórias que produzem esperança.

Em momentos de perplexidade, de intensa dor, quando temos muitas perguntas, em que nossas preces não foram atendidas como gostaríamos, em que o milagre não aconteceu, o que fazer? Imitemos Jeremias: vamos trazer a memória o que nos traz esperança.

Existe um grande diferencial entre quem procurou caminhar com Deus ao longo da sua vida e construiu solidamente um conceito de quem Ele é alicerçado na Bíblia Sagrada, e aquele, cuja esperança está depositada no que é material e ilusório ou crê apenas em si mesmo.

Quem tem um relacionamento pessoal com Deus carrega consigo um conjunto de memórias positivas que estão acessíveis para estes dias mais dolorosos e difíceis.

O que podemos trazer à memória para renovarmos a esperança quando um irmão em Cristo vem a falecer?

Em primeiro lugar podemos trazer à memória as recordações das bênçãos que recebemos por meio de sua vida: como ele nos influenciou, o que nos transmitiu de bom, como nos ajudou em situações de crise, como nos ensinou com o seu exemplo… Traz consolo e esperança nos lembrarmos daqueles dias quando rimos de suas piadas e mancadas. Quando recordamos os risos e sorrisos que compartilhamos…  Quanto mais convivemos com uma pessoa querida que partiu, certamente mais memórias positivas guardamos em nossos corações. Esta memória traz esperança que se transforma em gratidão. Gratidão porque aquela pessoa fez parte de nossa história e nos abençoou.

Outra memória que nos traz esperança se vincula ao que aprendemos sobre Deus quando vivíamos tempos de bonança. Adquirimos a compreensão de que Deus é bom, mesmo quando nos permite passar as maiores dores. Que Ele continua sendo o Deus de amor, mesmo que não compreendamos os seus desígnios. Que Ele não permite que seus filhos sofram além do que possam suportar. Ontem, quando conversava com a irmã Helena e com seus filhos, todos muitos tristes com a abrupta partida do nosso irmão Daci Feitosa, pude constatar o conforto que esta percepção de quem é Deus trazia aos seus corações.

Nos traz esperança a certeza absoluta de que não estamos nas mãos de um Deus cruel ou insensível, mas somos abraçados pelo Pai Celestial que nos dias em que viveu aqui na terra como homem, banhou também o seu rosto de lágrimas, chorando a morte de um amigo, mesmo sabendo que iria ressuscitá-lo em breve. (João 11:35)

A memória que traz esperança está alicerçada nas promessas de Deus para todo aquele que crê em Jesus como Salvador e Senhor. Traz excepcional alívio ao coração sabermos que aquele que nos deixou saudosos, também deixou para trás este mundo quebrado e dolorido. Agora começa a desfrutar o cumprimento das promessas divinas e já está contemplando o Autor e Consumador de sua fé em um ambiente de completa paz.

Traz esperança ao coração saber que na agenda dos salvos não existe um adeus definitivo, mas um até logo, pois um dia todos juntos nos reuniremos para o banquete celestial, na presença daquele em quem há “plenitude de alegria”. (Salmo 16:11)

Estas memórias trazem agora lágrimas aos meus olhos. Lágrimas de esperança.

Marcos Vieira Monteiro

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