Palavra Pastoral – “EU ERREI!”, “VOCÊ ME PERDOA?”

1985. Encontro de Missionários da Junta de Missões Nacionais no Acampamento Batista de Paripueira (Alagoas). Eu namorava Dora. Dr. Jack Yang apresentava uma palestra sobre relacionamento conjugal. Ouvi dele um precioso ensinamento que jamais esqueci: “No casamento existem três expressões que são indispensáveis e podem evitar o prolongamento de qualquer conflito. São elas: “Eu errei”, “Você me perdoa?” e “Eu Amo você”.

Que conselho útil! Desde os primeiros dias de casado e ao longo de 33 anos de vida conjugal tenho procurado colocá-lo em prática. Dr. Yang realmente tinha razão.

A eficácia destas três frases para a construção ou reconstrução de um relacionamento não se aplica apenas ao casamento. Especialmente as duas primeiras expressões: “Eu errei” e “Você me perdoa?”

Quantos problemas seriam minimizados, resolvidos rapidamente ou até mesmo aniquilados, tão somente se tivéssemos a disposição sincera de dizer com honestidade essas duas pequenas frases.

Quanta mágoa vai se acumulando simplesmente porque temos dificuldade de dizer: “Eu errei”.

Basta dizer “eu errei”, sem mais nada acrescentar. Quando pronunciamos a frase “Eu errei” e acrescentamos um “mas”, ela perde o seu efeito. O outro se concentra na palavrinha de três letras que minimiza a nossa confissão. Ouvindo o nosso “mas” ele pode se colocar na defensiva porque se sente acusado. Pode ser também que fique irritado e pense que não estamos, de fato, arrependidos e que tudo que queremos é tentar justificar as nossas ações…

Nem sempre, em conflito com o nosso próximo, vamos concordar quanto ao “grau de culpabilidade” de cada um. Temos a tendência de maximizar a responsabilidade do outro. Muitas vezes, como crianças, minimizamos a nossa culpa dizendo: “Foi ele quem começou a briga! Foi ele quem me ofendeu primeiro!” A ofensa do outro pode explicar a origem de nossa reação pecaminosa, mas não deve justificá-la.

Se queremos prolongar o conflito vamos ficar remoendo a ofensa que sofremos. Se queremos resolvê-lo devemos nos concentrar na pergunta: “Onde eu errei? Em que estou falhando?”

A admissão de culpa não resolve sempre e automaticamente o conflito. Porém, quando não admitimos o nosso erro, corremos o risco de apenas estabelecer um “cessar fogo” temporário. A chama da mágoa pode reacender a qualquer momento. Basta um pequeno atrito e vem à tona a mágoa por um problema que não foi efetivamente resolvido pelo pedido e a concessão do perdão.

Nem sempre quando machucamos o outro há a intenção de ferir. Queremos fazer o que é certo. Falhamos quando até o bem que procuramos fazer para outra pessoa não é, de fato, um bem para ela ou não é percebido como um ato de amor. Ficamos muito feridos quando nossas intenções e atos são julgados equivocadamente. Nos sentimos injustiçados quando a reação do outro sinaliza ingratidão. Talvez mais do que nunca é dificílimo pedir perdão nestas circunstâncias, quando também nos sentimos muito feridos.

Demonstramos extrema maturidade quando pedimos perdão ao ferir o outro, mesmo quando não foi a nossa intenção feri-lo. O que deve determinar o meu pedido de perdão, não é somente a minha intenção, mas a maneira como o outro recebeu o que fiz. Felizes os que, mesmo quando não conseguem admitir a culpa no íntimo do seu coração, conseguem dizer: “Você me perdoa pelo que lhe fiz?”

Você está em conflito com alguém? Um relacionamento importante está quebrado? Você está ferido? Está esperando que o outro admita que ele “começou a briga”? A resposta dele a um erro que você cometeu foi desproporcional?

Minha oração é que a graça de Deus sobre a sua vida seja tão generosa que o leve a admitir os seus erros e dizer sinceramente: “eu errei”.

Que a graça divina seja ainda maior ao ponto de levá-lo a, mesmo quando não conseguir conscientemente perceber o seu erro, ser capaz de dizer: “Você me perdoa?”

Marcos Vieira Monteiro

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