Palavra Pastoral – ESPERAR O PASSAR DO TEMPO… (1)

Um dos preciosos ensinamentos que meu pai me transmitiu quando ainda eu era bem jovem foi: o tempo cura muitos males. Com o passar dos anos, cada vez mais me convenço de que ele estava e está absolutamente certo.

Creio que o tempo por si só, nem sempre traz a solução para todos os nossos problemas. Pelo contrário, muitas vezes precisamos agir com determinação para: cuidarmos da saúde, tratarmos um relacionamento em crise, disciplinarmos um filho quando ainda é pequeno, fazermos uma reserva financeira quando estamos em uma fase de maior prosperidade, desfazermos uma parceria que não está dando certo… Se não agimos no devido tempo o problema pode se agravar, crescer e até se tornar praticamente insolúvel.

Por outro lado, muitas vezes nos defrontamos com situações ao redor, em que o poder que possuímos para efetuar uma mudança é limitadíssimo. Situações em que precisamos de uma especial ação divina. Nem sempre essa ação ocorre por meio de uma intervenção nitidamente sobrenatural, por sua intensidade e velocidade.

Há mudanças também em nosso interior que demandam tempo. Parece que Deus prefere nos moldar devagarinho, dia após dia, anos a fio…

Estamos em nosso “caminho de Damasco”, então vemos uma inesperada luz brilhante que interrompe a jornada original e que muda radicalmente a direção da viagem que estávamos fazendo. Muito frequentemente, depois de uma experiência assim, precisamos ficar sozinhos, refletindo, ponderando, meditando e deixando Deus usar o tempo para mudar nossa mente e coração.

O tempo é necessário para que determinadas medicações possam fazer efeito. Nem todos os remédios têm uma ação imediata. Alguns, em poucos minutos minimizam ou eliminam a dor, mas a cura efetiva frequentemente demanda tempo.

Precisa-se de tempo para a recuperação de uma fratura, para que ocorra uma cicatrização, para se readquirir uma mobilidade perdida. Este princípio vale para nossas feridas físicas e emocionais.

Existem ainda enfermidades para as quais os remédios farmacêuticos têm pouco ou nenhum valor. Às vezes, isso nos frustra. Quando saímos da consulta médica sem um pedido de exame ou uma receita, como nos sentimos? Ao ouvirmos este conselho: “Basta você diminuir o ritmo, descansar e ficará bom em poucos dias”; por incrível que pareça, nem sempre gostamos dessas orientações. Preferimos agir do que apenas aguardar o passar do tempo.

Papai tinha mesmo razão, muitas vezes o tempo é “um santo remédio”.

Que o Senhor nos ilumine para tomarmos este medicamento sempre que necessário. Assim, viveremos mais anos aqui na terra tranquilos, observando o agir de Deus, que está ocorrendo com o passar do tempo, ou vislumbrando o que ainda nos concederá no tempo dEle.

Marcos Vieira Monteiro

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