Palavra Pastoral – NÃO À CORRUPÇÃO

O discurso de combate à corrupção não deve ser monopólio de um partido político ou candidato a qualquer cargo público.

Há cerca de uns 10 anos vimos algo inédito em nosso país: empresários milionários e políticos proeminentes sendo condenados e presos por corrupção. Enquanto uma parte da sociedade brasileira celebrava, outra protestava, alegando perseguição política, ilegalidades na investigação e na aplicação da lei.

Independentemente da visão que cada um de nós tem do que ocorreu no Brasil no combate à corrupção, nestes últimos anos, não há dúvidas que ela está entranhada na sociedade brasileira ao longo de séculos.

Não faz tanto tempo, os meios de comunicação exibiram cenas de malas de dinheiro em apartamentos de políticos, dólares dentro de roupas íntimas, áudios de conversas privadas, que indicavam claramente que milhares de reais foram desviados dos cofres públicos para os bolsos de quadrilhas… O que dizer da contratação de “funcionários fantasmas”, de propinas para liberação de verbas e tantas outras situações de explícita corrupção?

Quando penso no volume de recursos que são roubados da população, especialmente dos mais pobres, concluo que a questão do combate à corrupção precisa continuar sendo prioridade em nosso país. Estes recursos fazem falta para a construção e manutenção de hospitais, para os programas de geração de renda, para o combate à criminalidade, para melhoria das escolas e remuneração de professores, para construção e recuperação de estradas, obras de infraestrutura…

Precisamos ter a coragem de refletir sobre este tema na atual conjuntura que vivemos. Para evitar cometer injustiças contra inocentes devemos afrouxar as leis? Inocentes foram condenados injustamente? Quantos culpados estão sendo agora inocentados? Os instrumentos legais que hoje temos para o combate a corrupção são suficientes? Os que lutam para mudar as leis, o fazem porque desejam livrar a si mesmos da pena de seus crimes ou porque desejam inibir os abusos que podem ser cometidos em nome da lei? Por que juízes mudam o seu voto sem uma explicação clara e plausível em um espaço curto de tempo? Devemos ignorar os depoimentos de dezenas de servidores públicos, em todos os níveis, que desistiram de permanecer em seus empregos e cargos porque identificaram corrupção crônica em seu ambiente de trabalho? Como não dar ouvidos às denúncias de empresários que afirmam ser pressionados a oferecer propinas para que seus direitos legais sejam mantidos?

A Bíblia não é um livro que nos mostra apenas como podemos nos relacionar com Deus. O Deus que se revela nas Escrituras ama a justiça e convida os seus filhos a se empenharem na luta por ela.

Os apelos e alertas divinos em toda a Bíblia são muito claros:

“Não torcerás a justiça, nem farás acepção de pessoas. Não tomarás subornos, pois o suborno cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos. Segue a justiça, e só a justiça para que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te dá.” (Deuteronômio 16:19-20)

“O ímpio aceita o suborno em secreto, para perverter as veredas da justiça.” (Provérbios 17:23)

“Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido do lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Livrai o fraco e o necessitado; tirai-o das mãos dos ímpios. Eles nada sabem, e nada entendem. Andam em trevas.” (Salmos 82:2-5)

“Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas.” (Isaías 1:2)

“Ai dos que decretam leis injustas e dos escrivães que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres, para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas, e roubando os órfãos!” (Isaías 10:1-3)

Eis uma pequena amostra bíblica de como Deus abomina a injustiça atrelada à corrupção.

A corrupção não é um mal exclusivo dos corredores do poder em Brasília ou de qualquer outra capital do país. Está nas ruas, nas praças, no comércio, nas fábricas, nos escritórios e dentro do coração de milhares de brasileiros.

Precisamos, não apenas de leis que combatam efetivamente a impunidade, e de instrumentos para que a justiça seja executada com mais rigor e celeridade. Carecemos de políticos e empresários honestos. Necessitamos de cristãos autênticos que se destaquem pela integridade.

Lutemos a partir de nosso exemplo pessoal! Deixemos para nossos filhos e netos o legado de um país menos corrupto, mais justo e próspero. Não à corrupção!

Marcos Vieira Monteiro

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