Palavra Pastoral – IRMÃO MÁRIO: O DIÁCONO DISCRETO

Confesso que não imaginei que voltaria a escrever a “Palavra Pastoral” no dia 1º de janeiro de 2022, compartilhando uma tristeza imensa que se mistura com um sentimento de profunda gratidão a Deus.

Estamos tristes porque ontem o nosso querido amigo e irmão Mário Santos nos deixou. Foram 6 meses de prolongado sofrimento na luta contra um câncer. Foi um guerreiro valente. Mas, chegou o seu momento de partir.

Conheci o irmão Mário em 1994. Atualmente ele era o último membro do Corpo Diaconal que permanecia servindo como diácono, pertencente ao grupo que nos recepcionou quando eu e minha família chegamos em Fortaleza.

Meu coração e o de Dora sentem muito porque Deus levou para morar consigo um grande amigo. Algumas vezes ele e Lindalva nos convidavam para refeições em sua casa. As conversas eram leves.

Irmão Mário gostava de acompanhar de perto a dinâmica da igreja. Quando compartilhava alguma preocupação vinculada à realidade da PIB, o fazia com muito amor. Sua fala era mansa, mas firme. Quando ele falava eu parava para ouvi-lo porque suas palavras transmitiam serenidade e sabedoria.

Sempre vi no irmão Mário um diácono exemplar. Ele não tinha apenas o título de diácono. Irmão Mário era um diácono no sentido literal do termo. A palavra diácono em sua língua original, o grego, é “diákonos”, que significa: “servente”. No contexto bíblico é o equivalente ao “garçom”, “aquele que serve à mesa na igreja”.

É impressionante em quantas áreas o irmão Mário serviu com o coração de servo. Ele foi um diácono ativo, professor da Escola Bíblica, membro da diretoria do Lar Davis, psicoterapeuta que atendia dezenas de abrigados desta instituição, capelão do Ministério dos Gideões Internacionais, “encontreiro” de muitos ECCs (Encontro de Casais com Cristo) trabalhando nas mais diversas equipes, conselheiro no projeto Casa do Julgamento, participante assíduo dos nossos cultos dominicais e de oração nas quartas feiras e de um Pequeno Grupo. Em todas as funções que ocupou, serviu voluntariamente.

Há pessoas que são até muito atuantes, mas gostam demais de um elogio. Há quem esteja disposto a servir desde que esteja na linha de frente e seja reconhecido por todos. O irmão Mário encarnava, como poucas pessoas que eu conheci, o serviço dedicado, mas sempre realizado com grande discrição.

Como admiro pessoas como o irmão Mário. Gente que trabalham muito, com competência, mas não fica alardeando seus feitos.

Em uma de nossas viagens a Israel e Europa o irmão Mário e Lindalva foram conosco. Que bênção ter este casal naquela caravana. Quantas recordações! Ela intermediava com animação as compras do grupo com os vendedores ambulantes na porta do ônibus. “O Mário”, como diz a Lindalva, ficava nos bastidores, fotografando. Quantos registros maravilhosos fez, não apenas de paisagens dos lugares por onde passamos, mas dos companheiros de viagem. Com todos compartilhava livremente suas fotos. Generoso e discreto.

Jesus prometeu a este tipo de servo uma especial recompensa. Desde ontem, o irmão Mário começou a desfrutá-la.

Sua discrição se concretiza até mesmo depois de sua partida. Consciente até pouco tempo, conversou com os médicos sobre como gostaria que fosse o seu funeral. Uma cerimônia restrita e cremação.

Hoje é dia de, de modo especial, agradecermos a Deus pela dádiva que recebemos com a vida do irmão Mário. Vida que tanto nos abençoou. Hoje e nos próximos dias e meses oremos por seus familiares que o admiravam e amavam tanto e que tem enfrentado outros lutos.

Que o consolo divino venha sobre cada um de nós, na medida de nossa necessidade.

Marcos Vieira Monteiro

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