Palavra Pastoral – INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Circulou nestes dias nas redes sociais e na mídia um vídeo que tem trazido grande preocupação aos cristãos no Brasil. No último sábado, a Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Curitiba, foi invadida por um grupo de desordeiros, que entraram à força no templo gritando palavras como “racistas” e “fascistas”. O líder desta invasão não atendeu aos apelos do padre que desejava continuar a missa. Ele fez um discurso político em que o foco era um protesto contra o assassinato de Moise Mugeny, que ocorreu na semana passada no Rio de Janeiro.

O que assistimos foi mais do que preocupante. Foi assustador. Por que aquela comunidade de fé foi atacada? Eles foram acusados de “racismo estrutural”. O que aqueles fiéis fizeram ou falaram em uma reunião religiosa que pudesse ser alvo de críticas? Mesmo que um padre ou qualquer outro líder religioso tivesse expressado o seu ponto de vista de forma equivocada, seria aceitável que uma cerimônia religiosa fosse interrompida?

Na história da humanidade muitas páginas foram escritas com o sangue da intolerância. Religiosos de um grupo perseguindo outros que adotavam uma fé diferente. Até mesmo no Brasil, no século passado, Bíblias foram queimadas em praça pública, templos apedrejados, fiéis sofreram todo tipo de discriminação em razão de sua fé em Jesus Cristo.

Cremos que cada pessoa tem o direito de livremente escolher a fé que desejar. Em uma democracia temos o amparo legal para prestarmos culto e expressarmos a nossa fé. Segundo o artigo 208 do Código Penal brasileiro, escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso, como fizeram os manifestantes de Curitiba, é crime. Ontem a Arquidiocese de Curitiba emitiu uma nota sobre o incidente em que repudiou a ação dos manifestantes indicando que ocorreram agressividades e ofensas.

Observe que situação absurda. Por que fazer uma manifestação contra um assassinato que ocorreu no Rio de Janeiro dentro de um santuário católico em Curitiba? Qual a conexão daquela comunidade de fé com a tragédia da Barra da Tijuca? Na semana passada eu me manifestei aqui sobre a terrível violência contra o jovem angolano. Que se façam manifestações em todo o país contra este tipo de crime. O espaço sagrado de um culto religioso, porém, não é o local adequado para este tipo de protesto.

Assim como pedi o cumprimento da lei com penas severas sobre os que participaram da morte de Moise, igualmente peço que o vereador que incitou este crime de intolerância religiosa seja punido.

Precisamos estar vigilantes. A liberdade religiosa e de expressão não tem preço. Devemos nos lembrar que em países comunistas e onde prevalece o poder político de grupos islâmicos radicais, cristãos são perseguidos, templos queimados e irmãos nossos executados.

Não consideramos ser saudável um debate político nas redes sociais da igreja que tem propósitos específicos e não devem ser espaço para confrontos políticos partidários. Por outro lado, não podemos nos calar diante de fatos que, se ignorarmos hoje, podem se agravar e atingir a todos nós que professamos a fé em Cristo.

Qual seria a nossa reação se o que aconteceu na Igreja do Rosário em Curitiba tivesse ocorrido na Primeira Igreja Batista de Fortaleza ou em qualquer outra comunidade evangélica? Deveríamos nos calar? Evitaríamos comentar este incidente? Protestaríamos?

Qualquer partido político, independentemente de sua ideologia, que se levante contra uma igreja e que não respeite a liberdade religiosa deve ser alvo de nossa crítica.

Jamais permitamos que a ideologia política que adotamos seja mais importante que o nosso compromisso com os valores do Reino de Deus. Um destes valores é a não violência.

Defender a liberdade de culto é algo que nos cabe fazer como cristãos porque os ateus não farão isto por nós.

Peçamos a Deus discernimento e coragem para que não minimizemos os atos agressivos contra os que desejam professar a sua fé. O que nos move nesta defesa deve ser, antes de tudo, nosso compromisso com Cristo e o seu Reino.

Marcos Vieira Monteiro

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