Palavra Pastoral – COMO ESTOU ORANDO AGORA

Reunidos em um dos nossos grupos pequenos esta semana e conversando sobre a guerra na Ucrânia, eu pedi que todos nós orássemos pela situação bélica no leste da Europa. Tendo dado livremente nossa opinião sobre este conflito militar e suas possíveis causas e consequências alguém perguntou: “Orar como, pastor?” Dei uma resposta rápida, mas fiquei pensando sobre esta questão.

Será que nestes dias os cristãos ucranianos e os cristãos russos estão orando da mesma maneira?

Confesso que, às vezes, sinto vontade de orar como Davi, nos salmos imprecatórios. Sendo cristão sei que não devo clamar a Deus como o salmista. Peço, então, a ajuda do Espírito Santo. Ele tem como uma de suas atribuições nos auxiliar na intercessão que fazemos ao Pai.

Penso que nossas convicções ideológicas e políticas interferem até na maneira como oramos. Devemos sempre fazer uma autocrítica a este respeito.

Permita-me compartilhar com você sobre como tenho orado. Não pretendo apresentar-lhe um modelo de oração neste contexto de guerra. Quero apenas que reflitamos sobre como estamos orando e peço ao Senhor que nos conceda sabedoria.

Rogo a Deus que fortaleça a fé dos nossos irmãos. Irmãos que estão sobrevivendo nos abrigos subterrâneos em condições precárias em todos os aspectos. Irmãos que se tornaram refugiados. Os que estão tentando sair da Ucrânia, mas ainda não conseguiram. Pelos que perderam seus familiares e amigos, civis ou militares.

Diante do horror da guerra podem surgir muitos questionamentos teológicos: por que Deus não impediu que esse conflito começasse? Por que não faz um milagre que resulte logo em um acordo de paz? Por que tanta violência contra inocentes? Mesmo crendo em Deus e em suas promessas, um sofrimento violento e completamente injusto pode suscitar sérios questionamentos e crises de fé. Que no meio de tudo isso, cada filho dEle possa experimentar, de modo sobrenatural, a sensação da sua presença.

Rogo a Deus pelos enlutados e pelas famílias que estão apreensivas sem notícias de seus filhos que estão nos campos de batalha. Familiares dos ucranianos e dos russos. Muitos prefeririam não estar ali. Foram obrigados a ir para o front de guerra por uma determinação das autoridades do seu país.
Rogo a Deus para que as autoridades consigam dialogar e chegar o mais breve possível a um acordo de paz. Peço ao Senhor, porém, que este seja um acordo justo, em que os direitos fundamentais de cada nação sejam preservados.

Creio que há milhões de pessoas tanto na Ucrânia como na Rússia que não querem a guerra. Estão sofrendo fortemente o impacto em sua vida econômica e emocional. Que os inocentes sejam poupados deste sofrimento que transcende o uso das armas.

Rogo a Deus que a verdade prevaleça. Em um contexto de tantas mentiras, em que milhares são ludibriados, que a imprensa faça o seu trabalho com imparcialidade e os governantes sejam honestos nas informações prestadas à população.

Rogo a Deus por um cessar fogo definitivo, em que os que detém o poder consigam encontrar um caminho alternativo pelo qual sejam feitas concessões coerentes e justas.

Rogo a Deus especial proteção para os seus filhos, independentemente de onde estejam. Que o Senhor os livre da morte.

Rogo a Deus que conceda aos líderes das nações muito discernimento, para que suas dificílimas decisões contribuam efetivamente para a paz.

Rogo a Deus que, mais uma vez, tenha misericórdia da humanidade e que sejamos poupados de uma tragédia ainda maior provocada pelo uso de armas nucleares.

Rogo a Deus que não falte solidariedade humana e cristã. Que nos sensibilizemos para ajudar a minimizar a dor das vítimas da guerra. Agradeço a Deus pelo que já tem sido realizado. Peço ao Senhor que estas ações de compaixão sensibilizem aqueles que estão recebendo este apoio material e emocional, a fim de que experimentem plenamente a graça divina.

Marcos Vieira Monteiro

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