Palavra Pastoral – ANTES DE OPINIAR OU ENCAMINHAR…

Mais do que nunca recebemos diariamente pela mídia, nas conversas com familiares e amigos e através das redes sociais, um volume enorme de informações e temas diversos. Somos pressionados a “tomar uma posição” e a opinar sobre assuntos os quais, há um mês, nosso conhecimento era quase zero.

Não creio ser possível ter um posicionamento bem fundamentado sobre o que desconhecíamos há poucos dias atrás. Precisamos de tempo para receber e “mastigar” o que lemos e vemos. Centenas de opiniões de especialistas e de palpiteiros estão ao nosso dispor. Na internet encontramos informações confiáveis e muitas mentiras.

Além disso, mesmo quando acessamos informações confiáveis, verificáveis e verdadeiras, dificilmente há consenso na interpretação dos fatos.

Grande parte do que adquirimos de conhecimento histórico nos bancas escolares hoje tem sido questionado. A pandemia está chegando ao fim e a maioria que defendia determinados tratamentos para a covid-19 continua pensando da mesma maneira. Os que não aceitavam como válido estes tratamentos permanecem com o mesmo posicionamento. Grande parte daqueles que, desde o início, questionavam a eficácia das vacinas como principal meio de frear a disseminação da covid-19 continuam “batendo na mesma tecla”. Os que sempre defenderam a vacinação, naturalmente atribuem a nossa situação atual à adesão em massa da população brasileira.

Os que pensavam que os acusados de corrupção eram inocentes, acreditam que agora a justiça está sendo feita com as portas das cadeias sendo abertas e sentenças anuladas por decisões do Supremo. Os que apoiaram incondicionalmente as ações da Lava Jato e entendiam que estávamos virando uma nova página no combate à corrupção, se sentem agora decepcionados.

Nossas opiniões são formadas, em uma grande medida, pelo grau de credibilidade que concedemos à imprensa, a quem seguimos na internet, às pessoas que admiramos, aos líderes que escutamos frequentemente, aos autores que lemos e aos filmes que assistimos e recomendamos.

É um gravíssimo erro seguir a qualquer ser humano acriticamente, elegendo-o como um guru infalível para qualquer área. Ninguém é especialista em todos os assuntos.

Logo no início da guerra na Ucrânia, li uma observação muito perspicaz: “Os peritos em pandemia e vacinas, em menos de 24 horas se tornaram especialistas em estratégias de guerra e geopolítica.” Outro acrescentou: “Sem contar que com a tragédia em Petrópolis, rapidamente viraram especialistas em impactos climáticos e urbanismo”.

Com quem devo prioritariamente buscar uma opinião na área médica? Com um médico ou com um advogado? Se preciso de um parecer jurídico sobre um determinado tema, a quem recorrer? A um médico ou a um advogado?

Porém, a questão se torna mais complexa, porque nem mesmo entre os especialistas existe um consenso na análise de um fato ou problema. Por este motivo não podemos renunciar ao nosso direito e dever de pensar, de desconfiar, de refletir longamente ao nos depararmos com opiniões divergentes.

É indispensável compararmos o que ouvimos dos pregadores nos púlpitos e na internet, com o que está registrado na Bíblia Sagrada. Além disso, precisamos apurar o nosso entendimento do que realmente está nas Escrituras para que não sejamos enganados por falsos mestres.

Não devemos ter pressa em dar a nossa opinião ou repassar um “artigo muito bom” sobre um tema complexo e polêmico. O pensar e o meditar devem preceder o compartilhar.

Pare e pense: “Por que este autor, articulista, editor, escreveu sobre esse tema e dessa forma, quais seus pressupostos éticos, quais os seus compromissos econômicos, que experiências de vida tem influenciado sua cosmovisão?”

Exercite também a autocrítica. Por que concordo com esta opinião e não com outra? Que experiências vivi ao longo dos anos que contribuem para que eu tenha este posicionamento? Quais são os meus pressupostos?

Se desejamos seguir o caminho da sabedoria temos que estar atentos para não sermos meros papagaios das opiniões dos que fazem parte de nossa “bolha”. Vale a pena ouvir, refletir, orar e, somente se chegarmos a uma conclusão madura, devemos considerar se é conveniente, ou não, compartilhá-la.

Marcos Vieira Monteiro

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